|
Nova exposição do Museu do Homem Americano
Objetos foram encontrados nos sítios arqueológicos do Parque Nacional da Serra da Capivara
A nova exposição do Museu do Homem Americano mostra os vestígios de sociedades ocupantes da região sul do Piauí, há 100 mil anos, os mais antigos da América.
Trata-se das mais recentes descobertas da Fundação do Museu do Homem Americano (FUMDHAM), que está expondo a alta tecnologia e capacidade criadora daqueles povos, as primeiras pedras lascadas, depois a pedra polida, cerâmicas e os metais.
“Essa exposição mostra a alta tecnologia e capacidade criadora desses povos, o que demostra que as culturas dos que aqui viveram eram extremamente desenvolvidas. Primeiro as pinturas que já conhecíamos e agora o material e todas as ferramentas que eles fabricavam”, informa a presidente da FUMDHAM, a arqueóloga Niède Guidon acrescentando que, belas peças foram encontradas, dentre elas, a ponta de uma fecha em cristal de quartzo, que demonstra o domínio perfeito da técnica de preparo do material litico de oito mil anos.
A atualização do Museu foi feita em duas salas. Uma das salas trata da vida, as tecnologias desenvolvidas pelas sociedades que ocuparam a região até a chegada dos colonizadores e a outra expõe os ritos, as técnicas associadas à morte e os tipos de enterramentos. A nova exposição foi executada por intermédio de um convênio entre o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e a Fundação, onde foram liberados R$ 90 mil provenientes de recursos financeiros destinados à modernização dos museus brasileiros.
A cerimônia inaugural da nova exposição aconteceu na última terça-feira (dia 9 de maio) e contou com a presença do presidente do Iphan, Luiz Fernando de Almeida e das representantes do Ministério da Cultura, Isabella Madeira, chefe de gabinete da Secretaria Executiva e Letícia Schwarz, diretora de Gestão Estratégica, e outras autoridades.
Para o presidente do Iphan, o Museu do Homem Americano contextualiza uma situação de rompimento, que subverte o tempo. “A idéia que temos de museu em geral é que trata-se de um espaço de agregação social, de pertencencia do lugar onde se vive, na condição de brasileiros, de piauienses e de sãoraimundenses. A singularidade que o Museu e a Serra da Capivara têm é o de romper a idéia dos limites, no sentido étnico, do território, de ser do Brasil, de ser do Piauí e coloca pra nós a questão da nossa existência, da ocupação do ser humano na terra”, explicou Almeida.
A solenidade foi encerrada com uma apresentação do Grupo Os Mascarados, quando cantaram várias músicas brasileiras e também encenaram um trecho da peça teatral Romeu e Julieta.
O grupo é formado por 27 jovens que participam do Projeto Pró-Arte, que também é desenvolvido pela FUMDHAM.
Ao todo são 150 crianças e 50 jovens que participam de aulas de teatro e música, bem como atividades voltadas a preservação dos sítios arqueológicos do Parque Nacional da Serra da Capivara.
Isabella Madeira fez questão de ressaltar a importante participação da comunidade em ações de preservação do Patrimônio Natural e Cultural do Parque. “Envolver a comunidade como um todo, adultos, jovens e crianças é bastante significativo, seja na atividade de ceramistas, no mel ou na arte. Um exemplo, é o Pró-arte que é outro belíssimo trabalho desenvolvido pela FUMDHAM”, enfatizou.
(Meirelane Freitas)
(19ª Superintendência Regional do Iphan)
|