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ARTIGOS
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ARMANI vs. HUGO BOSS
New-look da Folha para enfrentar o botox do Estadão
Por Por Alberto Dines em 25/5/2006
Jornais mudam de visual para se diferenciar dos concorrentes – mas, no Brasil, a cosmética vigente torna-os iguais. O novo look da Folha de S.Paulo, adotado no domingo (21/5), tinha como um dos seus objetivos afastá-la do Estadão. Os fados caprichosos decidiram o contrário: os concorrentes acabaram assemelhados.
É certo que o logotipo, as fontes tipográficas, o desenho e as opções gráficas dos dois jornalões são distintos, mas o que os torna indistintos são as razões que os empurraram para a sala de cirurgia: disputam o mesmo público. E este público tem uma peculiaridade – não lê jornais. E como não lê jornais não será atraído pela linguagem, teor, qualidade ou autoria dos textos, mas sim pela embalagem e a aparência do que foi impresso naquelas páginas.
Por mais diferentes que sejam as palhetas de cores e o arranjo das páginas do Estadão e da Folha, ambos têm as mesmas necessidades e apelam para os mesmos impulsos. Querem mais leitoras e mais jovens entre seus assinantes e partem do mesmo preconceito: mulheres e jovens não querem densidade da informação, querem leveza, entretenimento. E na busca desta leveza os jornalões acabam recorrendo ao mesmo arsenal de cacoetes.
Palheta de cores
Por ocasião do face-lifting do Estadão este Observador percebeu uma inclinação para o conceito Armani [ver "Estadão-ão-ão ficou doidão-ão-ao"]. Para facilitar a comparação e nivelá-los no plano das metáforas fashion a opção da Folha pode ser denominada Hugo Boss. Equivalem-se, a diferença reside apenas na etiqueta. Pretendem ser light e clean, mas para serem efetivamente light e clean teriam que procurar os leitores mais sofisticados. Partiram então na direção contrária: a caricatura de modernidade.
Pretendiam inventar uma nova palheta de cores e acabaram utilizando o batido verde-mar encontrado pelo Valor há meia dúzia de anos e depois reproduzido no Estadão.
400 anos de história
Para organizar a sua rica vitrine de colunistas, a Folha contentou-se em padronizar as dimensões das colunas o que lhe valeu merecida e corajosa fustigada de Janio Freitas no primeiro dia (domingo, 21) da "nova fase" [ver "Colunista da Folha critica a reforma gráfica do jornal" ]. Na quinta (25), foi a vez do colunista Demétrio Magnoli reclamar a perda de "quase um quinto" do seu espaço. "De que serve opinião sem fato ou contexto histórico?", perguntou.
Sob o ponto de vista jornalístico nenhuma novidade, o que significa uma clara opção pelo retrocesso. A cadernização do jornal ficou ainda mais aberrante, já que o uso abundante de cores nas capas dos cadernos exigiu uma diminuição no número de suas páginas e produziu uma inédita duplicação (dois cadernos de "Cotidiano", dois de "Mundo" etc.). Em dezembro, quando aumentar o número de anúncios, teremos duas "Ilustradas" ou dois primeiros cadernos – o primeiro caderno-1 e o primeiro caderno-2.
Quando o novo visual do Estadão já parecia surrado, o seu incansável marketing inventou a milionária campanha de anúncios onde a humanidade foi dividida em dois segmentos – os "Ão-ão-ão" e os "Inhos." Vamos ver o que o marketing da Folha aprontará dentro de alguns meses quando a maquiagem testada no último domingo começar a esmaecer.
Jornais sempre apostaram na continuidade, por isso existem há 400 anos. Agora, enquanto discutem a sua sobrevivência, os jornalões brasileiros brincam de trocar de cara. Isso tem um preço.
Fonte: www.observatoriodaimprensa.com.br
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