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Cinema
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King Kong
Valmir Junior*
Peter Jackson queria fazer esse filme desde pequeno, quando se encantou com o clássico King Kong, de 1933, com a atriz Fay Wray. Decidiu que, a partir dali, seria diretor de cinema. E lá se passaram muitos anos e eis que Jackson conseguiu o que queria. Hoje é diretor renomado, sua trilogia O Senhor dos Anéis foi sucesso no mundo inteiro e ganhou vários Oscars; ele pode fazer o filme que quiser. E foi então que Jackson voltou com sua idéia original: refilmar King Kong da forma que sempre pensou.
Bem, como todos sabem, a história é simples: o inescrupuloso diretor Carl Denham (Jack Black) - uma espécie de Orson Welles - quer fazer seu mais novo filme, mas não tem a atriz certa e seu estúdio não o apóia. É então que ele se depara com Ann Darrow (Naomi Watts), atriz desempregada e a convence a embarcar no navio para a ilha onde irão filmar. No navio, Darrow se apaixona pelo dramaturgo Jack Driscoll (Adrien Brody). Mas ao chegarem na ilha supostamente deserta, Ann acaba sendo raptada e oferecida em sacrifício ao gorila gigante. Porém, os dois acabam estabelecendo uma certa relação. Daí para o final, o filme gira freneticamente e culmina com a famosa cena no Empire State Building, em Nova York.
E o que Jackson nos oferece de novo? A estrutura do filme inclui agora maior profundidade entre as personagens e o filme contém muita ação (incluindo, logicamente um exército de efeitos especiais). E essa profundidade entre as personagens é o que engrena o filme, principalmente a relação entre Ann Darrow e o próprio King Kong. Ambos se assustam inicialmente, depois se conhecem e então o amor impossível é instalado no coração do gorila. Configura-se a tragédia em que a fera se apaixona pela bela.
Jackson transforma o filme original, em que Fay Wray se limitava a se assustar com King Kong, numa história de amor, que tem seus momentos inspiradíssimos (como a cena de "dança" num lago congelado do Central Park) e que captam a platéia de forma impressionante. Até mesmo as seqüências mirabolantes de ação ficam ao fundo quando a loira e o macaco entram em cena. E Naomi Watts mais uma vez acerta no tom de sua Ann Darrow, conseguindo ser verossímil em meio a tanta inverossimilhança, enquanto Andy Serkis, aquele que fez o Gollum de O Senhor dos Anéis, agora novamente empresta seu corpo para a digitalização de King Kong. O gorila de Serkis é capaz de transmitir emoções fortes e o casal principal se torna o mote do filme.
Vale por todo o arsenal digital? Vale. A primeira hora do filme estabelece as personagens e um certo suspense. A segunda hora nos oferece o que há de melhor em entretenimento: toda a seqüência da Ilha da Caveira é espantosa, incluindo um estouro de dinossauros, ataque de insetos gigantes e o resgate de Ann Darrow das garras de três tiranossauros. A terceira hora é reservada para o clímax final em Nova York. E Jackson ainda consegue incluir muitas mensagens, como a ganância, a hipocrisia e muito mais do show de horrores humano.
Grande entretenimento, grande história, grande direção. Palmas ao diretor. Provou que sabe fazer histórias de amor e ainda sabe colocar as imagens digitalizadas a seu favor. Que venha mais de Jackson.
King Kong (2005). Direção: Peter Jackson. Elenco: Naomi Watts, Adrien Brody, Jack Black, Thomas Kretschmann, Colin Hanks, Andy Serkis, Evan Parke, Jamie Bell, John Sumner, Kyle Chandler, Frank Darabont, Peter Jackson. Duração: 3h7min. Estreou em 23 de dezembro de 2005.
*Valmir Junior
"Paulista, 23 anos, virginiano e doido por chocolate. Esse é Valmir Junior, um ator amador (ou amador ator?), fã de teatro (claro), filmes, exposições e outros assuntos relacionados à Arte (além de ser um bom garfo também). É a primeira vez que resenha para um site e dá medo nele, mas o desafio já foi aceito, então: "Merda!!!" (Não levem a mal! É "Boa Sorte" no Teatro)."
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