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COLUNA POP-UP
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Velhas que ainda dão um caldo
Por Alberto Cataldi*
Calma. O título da coluna se refere às bandas e cantores. Sim, pois eu não tenho nada contra panelas velhas que ainda fazem comida boa. E no caso do novo lançamento do New Order, dá um belo almoço.
Os veteranos lançam "Waiting for the Sirens' Call". E não há exagero em dizer veteranos: eles inovavam o cenário rock/eletrônico lá nos anos 80 e, desde então, tiveram seus altos e baixos de carreira, sem nunca abandonar as pistas de dança e os palcos. Agora vem esse material novo, melhor do que muitas bandas juniores. "Mas como pode uma coisa dessas?". Boa pergunta. Basta ouvir a música de trabalho, "Krafty", pra saber. Eles ainda são influentes e sabem polir material velho. A essência é a mesma, o resultado é outro: batidas eletrônicas bem dançantes, vocal contagiante, mistureba pop e, é claro, experiência. É música pra danceteria, rádio e estádios.
Robert Plant, ex-voz do Led Zeppelin e ex-mais homem sexy do mundo, também resiste ao tempo e experimenta um bocado. O resultado pode soar estranho, mas não necessariamente ruim. "Dreamland" (2002) abusava de riffs de guitarra e efeitos repletos de sua (quase irritante) influência de música indiana. O resultado ficou mais ou menos. Agora a coisa muda de figura. O cedê "Mighty Rearranger" sai mês que vem e conta com a banda Strange Sensation (com gente até do Portishead). No primeiro single, "Shine it All Around", ainda dá pra notar o clima do oriente mas volta a sensação de música executada em grupo. Funciona, e se funciona, tá bom.
Exemplo de sempre é David Bowie. O distinto senhor já foi tudo: glam, psicodélico, hard rock, new wave, industrial, eletrônico... Teve alguns períodos de qualidade questionável (como "Let's Dance", das inesquecíveis ombreiras gigantescas). Mas não há como julgá-lo mal. Mesmo seu penúltimo álbum, "Heaten" (2002) - que a crítica atacou rosnando - é recheado de um conteúdo ousado e satisfatório. Os aplausos ficam mesmo para seu último disco, "Reality" (2003), com a retomada da originalidade de início de carreira misturada a um pouco de tudo o que já fez. Com tantos carimbos no passaporte musical, alguma coisa boa iria sair.
Será que um terço das bandas/cantores de hoje vão sobreviver mais de 10 anos?
Três acordes: notinhas curtas com algo a dizer.
Que o Cris Martin queria ser o Bono, todo mundo já sabia. Mas em "Speed of Sound", novo single do Coldplay, a coisa já fica ridícula. É boa, mas se fosse um pouco mais U2, tinha backing vocal do The Edge. O nome do novo disco deles é "X&Y", sai em 6 de junho no mundo todo e a capa é essa aí ao lado.
"Some Cities", trabalho novo do Doves, acabou de sair. Vale a pena uma escutada, porque o único azar deles foi não terem feito sucesso antes do Coldplay aparecer por aquela região. Músicas melodiosas e bem elaboradas. Pra cantar junto.
Os Gorillaz nunca foram inovadores, mas sempre foram bacaninhas. A nova "Feel Good Inc." já toca nas FMs. Meio hip-hop, meio dançante, meio rock e bem legal. O de sempre. A melhor banda de mentira do momento. Os Detonautas que não leiam isso!
Abaixo dá pra saber mais e até ouvir músicas de:
New Order
Robert Plant
David Bowie
Coldplay
Doves
Gorillaz
*Alberto Cataldi, 20 anos, é paulista, estudante e estagiário de jornalismo. Aprendeu a gostar de música com o U2, de cinema com De Volta Para o Futuro e de literatura com quadrinhos do Batman. Escreve na Wooz sobre música e cultura pop, e acha isso muito divertido. Não gosta de fazer listas de coisas preferidas, porque sempre esquece alguma importante, e isso o deixa transtornado.
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