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INTERNET
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O que há de ciber na cultura?
Conferência «Digital Literacy», Agência Nacional para os Programas Sócrates e Leonardo, 18 de Setembro de 2003.
À excepção do uso pessoal, o texto não pode ser publicado ou reproduzido por nenhum meio sem autorização prévia.
Um campo em busca de legitimação
Como já ocorreu com outras catchwords, de que são exemplo os debates intelectuais de décadas anteriores em torno de expressões derivadas do adjectivo «pós-moderno», o mesmo começa a ocorrer hoje em dia com a ideia de «cibercultura». E se é já praticamente absurdo negar a sua existência, bastando para tal acenar com factos como a explosão do uso da Internet, falta-nos ainda uma clara e fundamentada definição daquilo que esta subsume. Um pouco como o conhecido ponto de partida de Sto. Agostinho quando procurava discorrer sobre o tempo, todos parecem reconhecê-lo e mesmo identificá-lo mas muito poucos são capazes de dizer o que é. Da forma o mais despretensiosa possível, arrisca-se aqui uma tentativa de definição do que traz de novo a cibercultura à cultura, ou, o que é quase afirmar o mesmo, o que há na cultura contemporânea (ou parte desta) que obrigue a apender-lhe o prefixo «ciber-».
Roland Barthes, perante a ingrata tarefa de definir o que
é a literatura, chegou certa vez à irrefutável – apesar de falaciosa, por
cair em petição de princípio – afirmação de que é literatura aquilo que se
ensina como sendo literatura. Sendo Barthes professor de literatura, e
reforçando a afirmação, a literatura para ele era aquilo que ele ensinava
como sendo literatura. O primeiro passo que daremos na tentativa de
definir a cibercultura será em tudo semelhante, com a diferença mínima de
que iremos recorrer à prática de ensino de outros. Mais concretamente,
atente-se naquilo que são as versões mais recentes (do primeiro semestre
lectivo de 2002-2003) dos programas lectivos de dois dos nomes mais
reconhecidos neste novíssimo campo académico: Steven Shaviro e Mark Poster1.
No caso de Steven Shaviro, o planeamento semanal da
disciplina intitulada «Special Topics in Cultural Studies: Cyberculture»
apresentava-se como se segue, exceptuando as aulas introdutórias e finais:
- Filosofia do Ciberespaço: Tecnologia
- Filosofia do Ciberespaço: Realidade virtual
- Globalização e a Economia do Ciberespaço
- A Sociedade em Rede
- Comunidades, Virtuais e «Reais»
- A Vida no Ciberespaço
- Corpos Virtuais
- Sonhos Pós-Humanos
- Identidades Virtuais
- Blogs, Câmaras e Páginas Pessoais
- Hipertexto e a Estética do Digital
- Lexia to Perplexia [Um vocabulário para o espanto]
- Videojogos
- Cinema e texto
- Privacidade, Propriedade, Hacking e Vigilância
- Propriedade Intelectual e Direitos de Autor
A disciplina que Mark Poster leccionou também no ano
transacto, de duração um pouco mais curta, intitulava-se
«Theories of
Technology and Culture», e o programa foi o seguinte:
- Máquinas e Humanos
- Teorias da Tecnologia
- Cultura de Massa e Máquinas
- Meios de Comunicação e Cultura Popular
- O Livro como Meio/A Escrita Digital
- Sexualidades, Géneros e Tecnologia Digital
- As Bases de Dados como Cultura e como Arte
- A Comunidade através da Tecnologia
- A Tecnocultura atravessa as Etnias: Problemas de
Tradução
- Máquinas e/como Humanos
Em ambos os casos, apesar das compreensíveis diferenças
motivadas por distintas extensões e sensibilidades, o que mais depressa
salta à vista é a grande heterogeneidade de campos de actividade e do
conhecimento cobertos, da economia à estética, do direito aos cultural
studies. É essa heterogeneidade, muito mais do que a procura de uma
intersecção entre os dois programas, aquilo que nos interpela e nos deixa,
como o título de uma das sessões de Steven Shaviro, perplexos. Como é
possível, interrogamo-nos, que tantos domínios da cultura (entendida esta
numa acepção bastante lata) possam ser abarcados pelo prefixo «ciber-»? Em
que medida este chapéu linguístico é o mais adequado para cobrir tantas
cabeças?
Não que a resposta não tenha já sido dada. Em programas
lectivos como os acima transcritos, esta costuma aliás ser uma das
preocupações iniciais2, e para cumprir o objectivo recorre-se à etimologia
da palavra kuber, num curto-circuito que vai de Platão a Norbert Wiener.
Menciona-se, em particular, a afinidade linguística entre kuber e governo
(inicialmente de uma embarcação, antes de a metáfora encontrar um lugar
confortável na teoria política) e o modo como a cibernética de Wiener, bem
como a sistémica, recorrendo a então novíssimos conceitos como o de caixa
negra, feedback e ambiente externo reciclam o «ciber» de forma a dar
conta dos artefactos técnicos que, ao procurarem reproduzir o
funcionamento dos organismos vivos, são capazes de auto-regulação. A
atestar esta ligação entre uma «ciência dura» e as suas consequências
sociais, é habitualmente o próprio Wiener quem serve de garante de
autoridade, por via do seu conhecido título The Human Use of Human Beings.
De modo a que tal raciocínio fique livre de lacunas,
recorre-se ainda a um outro campo de investigação, cuja explosão não só se
dá quase em simultâneo com as propostas de Wiener como além disso lhe
serve de base indispensável de funcionamento: a teoria da informação.
Desta pode dizer-se que, graças ao conceito de bit como unidade mínima, é
a responsável pela «desmaterialização» da informação – é o que faz, de
forma exemplar, N. Katherine Hayles em How We Became Posthuman. Na medida
em que pode ser reduzida a bits independentes tanto do conteúdo
transmitido quanto de um substrato físico – tornado mero «acidente», no
sentido aristotélico, uma vez que esta materialidade, ainda que estando
sempre presente em qualquer fenómeno real, é contingente quanto à sua
substância –, a informação torna-se algo autónomo, e como tal passível de
ser observada, produzida e tratada como uma entidade una apesar da
multiplicidade das suas instâncias. É assim que o movimento de um
organismo pode ser visto como um fluxo de informação que vai
alternadamente dos órgãos receptores dos sentidos a um sistema nervoso
central (supostamente o topo de uma hierarquia), e deste para os órgãos
motores, que executam as ordens emanadas de cima. Do lado das máquinas,
também um termóstato pode ser visto como um artefacto simples que lida com
informação. Recebe-a do exterior, compara-a com uma consigna que lhe foi
imposta («objectivo: x graus de temperatura no interior desta sala») e
actua em conformidade.
Continuemos esta nossa narrativa com aquele que acaba
invariavelmente por ser o exemplo mais acabado de um artefacto técnico que
lida com informação, aproveitando para introduzir uma nova personagem
nesta «intriga pedagógica»: o artefacto é o computador, a personagem é a
Inteligência Artificial3, com Alan Turing como seu arauto. Sem grandes
rodeios, a linha de raciocínio é a seguinte: se a informação pode ser
dissociada de um substrato material, e se é comum tanto a organismos vivos
quanto a objectos técnicos, por que não conceber um artefacto que tenha
como função promordial a do tratamento de informação? Mais do que isso
(embora para este último passo devesse recorrer-se a um background
filosófico que somos forçados a omitir por uma questão de brevidade): se a
inteligência humana é – presume-se – essencialmente tratamento de
informação, não será esse novo artefacto, na sua essência, uma máquina
capaz de possuir (logo que ultrapasse um determinado grau de complexidade)
inteligência?
No essencial, é esta a história que conta Katherine
Hayles na obra acima mencionada, e é também aquela que, por vezes sem o
mesmo grau de consistência e de exaustividade, contam os programas
lectivos das diversas disciplinas de Cibercultura. De forma a que possa
ser feita a ponte entre estes primórdios e a realidade contemporânea, que
nas suas múltiplas facetas é tomada como «ciber», falta apenas explicitar
de que modo se ligam os elementos enunciados, modo este que consiste na
seguinte fórmula geral:
- Premissa n.º 1: com a cibernética, quebram-se as
oposições entre máquina e organismo: os organismos podem ser analisados
como máquinas (partindo do princípio de que as máquinas que lhe servem de
metáfora processam informação), as máquinas podem ser construídas de modo
a imitarem organismos;
- Premissa n.º 2: com a teoria da informação, a
substância (de novo no sentido aristotélico) torna-se no contingente: o
insubstancial ou o incorpóreo não só se autonomizam como se tornam no
elemento essencial;
- Premissa n.º 3: perante a ascensão das tecnologias
informáticas (em particular à medida que os computadores se ligam em redes
de crescente extensão e complexidade), tornam-se indistintas as diferenças
entre a inteligência e a capacidade de decisão humanas e a dessas máquinas
que demonstram ser capazes de desempenhar funções similares, por vezes com
claras vantagens;
- Conclusão: Numa sociedade em que, como é a nossa hoje
em dia, se tornam comuns a intermutabilidade entre máquina e organismo, a
perda da corporeidade, e a omnipresença dos computadores como novos
decisores, estas características estendem-se até mesmo a campos em que tal
seria inimaginável (recordem-se apenas, das listas acima, as chamadas de
atenção para novas formas de definição da subjectividade e do corpo). Ao
conjunto de todas essas novas configurações, pelo facto de poderem ser
subsumidas por uma explicação de que apresentámos os traços mais
relevantes, e perante a necessidade de um termo abrangente, significativo
e sonante, dá-se o nome de cibercultura.
Nas entrelinhas…
É esta a explicação oficial. Não se procura aqui pô-la em
causa, muito menos quando esta tem vindo a ganhar, ainda que tacitamente,
o estatuto de um paradigma de investigação no sentido que lhe dava Thomas
Kuhn. Basta para tal atestar na cada vez maior quantidade de contributos
para este florescente campo de investigação, que mesmo quando lhe trazem
algo de novo4 o fazem mais como quem, ao reduzir a escala ao mapa de um
território já conhecido, o mostra com um grau maior de aproximação
(eventualmente acrescentando factos até aí pouco notados mas relevantes),
do que como quem desbrava território novo. É em boa parte nesse sentido –
o de quem, ao concentrar-se nalguns pormenores do objecto de análise, nota
algumas discrepâncias que talvez obriguem a uma reavaliação da imagem
global – que propomos uma explicação complementar.
Para usar uma comparação vinda de um campo semântico
distinto, que contudo nos ajudará a compreender o que aqui está em causa,
pense-se no que seria o cristianismo na ausência de um S. Paulo. Nesta
como porventura noutras situações, há personagens secundárias – esquecidas
da explicação standard justamente devido a esse estatuto – que são tanto
ou mais responsáveis pelo rumo que a história toma. No caso de que aqui
nos ocupamos, a chamada de atenção para a eventual existência desses
protagonistas ocultos surge da constatação de que, na sequência
argumentativa acima exposta, há um determinante non sequitur entre as
premissas e a conclusão. Mais ainda, essa lacuna lógica vai justamente ao
encontro (ou falha esse encontro, dado tratar-se de uma lacuna) daquilo
que é pressuposto pelo prefixo «ciber».
Atente-se então de novo nas alterações tecnológicas
enunciadas por cada uma das premissas: a semelhança5 conceptual entre
máquina e organismo, a desmaterialização da informação e a ascensão do
computador como artefacto técnico. Nenhuma delas conduz necessariamente à
configuração cultural descrita pela sua conclusão – e no entanto, trata-se
de uma configuração que é a nossa, sem tirar nem pôr. Por outras palavras,
seria perfeitamente concebível uma sociedade dotada de máquinas que se
comportam como organismos, com retroacção e pseudo-finalidades, sendo aí
igualmente o computador a máquina por excelência, e ainda onde a
informação continuasse a ser concebida como imaterial, mas onde, em
contrapartida, pudesse ainda ser traçada, sem hesitações, a linha entre o
maquínico e o humano. Essa seria uma «cibersociedade», banhada
naturalmente por uma «cibercultura», mas não necessariamente a
cibercultura que conhecemos. Recorrendo, uma vez mais, ao conceituado
livro de Katherine Hayles, seria uma cibersociedade que não implicaria uma
outra ideia, parceira do termo «ciber», a de «pós-humano». As máquinas da
Revolução Industrial alteraram a ideia daquilo que é humano – como bem
diriam os primeiros ludditas, o ser humano foi aparentado a uma máquina –,
o comboio, o automóvel, a metralhadora, a máquina de escrever e outros
meios técnicos6 reforçaram este desvio de sentido, mas os conceitos de
humano, de humanidade e de humanismo resistiram à tentação de lhes ser
aposto o prefixo «pós-».
O mesmo poderia ter ocorrido com o advento das máquinas informacionais, como o computador. A diferença, para resumir tudo a uma palavra, reside na ascensão do conceito de cyborg7. Contudo até mesmo esta ascensão tem os seus motivos: não apenas uma inovação ou revolução técnica, mas sobretudo a revelação de uma incapacidade. Diríamos mais: de uma incapacidade por parte das máquinas informacionais que encontra a sua contrapartida numa série de incapacidades complementares do humano. É esse, acreditamos, o missing link entre uma visão alternativa das tecnologias da informação como mera paisagem social (não desprezando naturalmente as brutais mudanças que ainda assim teriam ocorrido, talvez maiores em determinados campos) e a que possuímos, na qual estas são as responsáveis por uma reformulação total da ideia de humano.
Um olhar histórico permitirá muito facilmente
confirmá-lo, se não mesmo identificar o momento preciso em que se dá a
viragem. Uma «Brief History of Artificial Intelligence», disponível
online8, será para o nosso
objectivo suficiente. Antes de mais, podemos observar que o ponto de
viragem entre o que nesse site é considerado como «Ancient History» da IA
e a «Modern History» é o ano de 19509. A data tem muito pouco de arbitrário, e o facto de corresponder ao início da segunda metade de um
século é mera coincidência: é nesse ano que Turing publica o famosíssimo
artigo «Computing Machinery and Intelligence», onde é proposto o teste
agora conhecido como «de Turing». Nesse mesmo ano Shannon publica uma
análise, não menos importante para a causa da IA mas naturalmente ofuscada
pelo anterior, sobre os mecanismos de raciocínio envolvidos no jogo de
xadrez. Cruzando os campos da teoria e da ficção científica, é também em
1950 que Isaac Asimov enuncia as famosas três leis da robótica
10. Toda a
década de 50 vai de resto ser bastante fértil nesta área de pesquisa, não
sendo de estranhar que seja já durante esse período que nasce a expressão
«Inteligência Artificial»11. No site que nos serve de auxiliar,
identificam-se nessa década como marcos importantes os seguintes eventos:
em 1952 Arthur Samuel da IBM começou a escrever um programa de zadrez, que
levaria uma década a atingir um grau suficiente de complexidade; em 1956
surge o primeiro programa funcional, «Logic Theorist», de Allen Newell, J.
C. Shaw e Herbert Simon; logo no ano seguinte, e dos mesmos
investigadores, o «General Problem Solver»; em 1958, entre outras
ocorrências que tornariam esta lista demasiado extensa, John McCarthy
concebe o LISP, a primeira linguagem de programação especificamente
orientada para este campo de investigação.
A lista vai compreensivelmente crescendo à medida que as
décadas se vão aproximando do presente, mas é agora o momento de não nos
deixarmos iludir por esta acumulação de achievements. Algures nos anos 60,
em 1963 para ser mais preciso, algo oculta entre a menção ao primeiro
programa que resolve testes de QI baseados em analogias e a primeira
colectânea de artigos deste campo então em ascensão, organizada por Edward
A. Feigenbaum e por Julian Feldman, surge uma entrada que só ressaltaria
pela sua inadequação numa lista sobre Inteligência Artificial: Ivan
Sutherland demonstra, através do programa «Sketchpad» que constitui a
parte prática da sua tese de doutoramento, as possibilidades interactivas
e gráficas dos computadores. Por entre aquilo a que Hubert e Stuart
Dreyfus chamam, recorrendo a uma expressão de Yeoshua Bar-Hillel, a
«fallaccy of the successful first step»12, vislumbra-se uma via de
investigação distinta que viria a crescer em importância à medida que a IA
começava a mostrar as suas fraquezas13.
Se aqui salientamos Ivan Sutherland, como já de seguida faremos o mesmo a Douglas Engelbart, convém não esquecer que qualquer
destes investigadores pode ser situado numa linha que se origina num
artigo de 1945 de Vannevar Bush, intitulado «As We May Think»14. Mas Vannevar Bush era um técnico de radar e não um engenheiro informático, e se hoje em dia lhe é outorgado estatuto suficiente para figurar numa lista como a que temos vindo a analisar, isso deve-se aos resultados práticos dos seus «filhos intelectuais». De Ivan Sutherland, os gráficos e uma interacção em tempo real; de Douglas Engelbart, a invenção do rato, mostrado ao público pela primeira vez em 1968, na Spring Joint Computer
Conference de São Francisco depois de alguns anos de protótipos. No
período que medeia entre estas duas demonstrações15, Joseph Weizenbaum
procura dar a primeira grande machadada nas ambições da Inteligência
Artificial com o programa «Eliza»16, mas seria necessário esperar mais um
pouco quer para se assistir a uma série de desaires neste campo –
antecipados ainda assim pelos irmãos Dreyfus em What Computers Can’t Do,
de 1970 –, quer, acima de tudo, para que os protótipos de Sutherland e
Engelbart se tornassem nas formas comuns de interacção com os computadores
que hoje conhecemos.
É justamente a interacção com a máquina o elemento que
parece faltar ao anteriormente mencionado «mito das origens» sobre a
cibercultura17. Podemos aliás dar-lhe outros nomes: interface, se a
perspectiva está orientada para o fluxo informativo entre máquina e ser
humano; cyborg, se regressamos a uma materialidade do corpo e da máquina
que ressurge depois de transfigurada pela teoria da informação18.
Independentemente do nome que se queira dar – e, portanto, da perspectiva
que se queira tomar –, é essa imagem de uma crescente simbiose entre o
orgânico (e nele, o homem, por excelência) e o inorgânico criado pela
técnica aquilo que atravessa toda a retórica da cibercultura, de forma
subtil mas cada vez mais inescapável.
Bibliografia
Alves., M. Valente e Barbosa, António
s/d O Corpo na Era Digital, Lisboa, Faculdade de Medicina de
Lisboa.
Buchanan, Bruce G.
s/d «Brief History of
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Bush, Vannevar
1945 «As We May Think»,
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a 16/9/2003.
Dreyfus, Hubert e Dreyfus, Stuart
1986 Mind over Machine: The Power of Human Intuition and Expertise in the
Era of the Computer, Nova Iorque, Free Press.
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1996 The Cyborg Handbook, Nova Iorque, Routledge.
Hayles, N. Katherine
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1976 Computer Power and Human Reason, ed. port. O Poder do Computador e a
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Wiener, Norbert
1950-54 The Human Use of Human Beings, ed. bras. Cibernética e Sociedade:
O Uso Humano de Seres Humanos, São Paulo, Cultrix, 1993, trad. de José
Paulo Paes.
Notas:
* Texto realizado ao abrigo do
projecto de investigação «Tendências da Cultura das Redes em Portugal»,
apoiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (POCTI/COM/34436/99) e
ainda no âmbito de uma bolsa de doutoramento da Fundação para a Ciência e
Tecnologia, ao abrigo do programa POSI.
1 Recorreu-se para tal à preciosa fonte de informação da Universidade de
Washigton, o Resource Center for Cyberculture Studies. Quanto aos programas de
Steven Shaviro (também da Universidade de Washington) e Mark Poster (da
Universidade da Califórnia em Irvine), os endereços respectivos são
http://shaviro.com/Classes/Eng407.html e
http://www.hnet.uci.edu/mposter/syllabi/techsyl.html.
2
Ou finais, quando a estratégia de ensino se pretende mais heurística do
que analítico-dedutiva. Mas poucas ou nenhumas diferenças se encontrarão
no que respeita à imposição de uma perspectiva que a pouco e pouco se vai
tornando standard.
3
Enquanto programa de investigação. Doravante ocorre também como IA.
4
São inúmeras as colectâneas de textos publicadas todos os anos, a ponto de
ser quase impossível seleccionar uma amostra que constitua uma espécie de
«sebenta» essencial. Saliento ainda assim, de Steven Jones, as colectâneas
Cybersociety e Cybersociety 2.0, as introdutórias mas não menos excelentes
obras de Steven Johnson Interface Culture e Emergence e, já que estamos em
Portugal, onde tem havido alguma atenção a estas questões, as colectâneas
de artigos apresentados em colóquios O Corpo na Era Digital e Crítica das
Ligações na Era da Técnica, e ainda Rumo ao Cibermundo?, também composto
de vários textos.
5
Importante não confundir semelhança com aproximação, como poderá
entretanto verificar-se.
6
Talvez tenha de se excluir desta lista o telefone, como nos é indicado por
Avitall Ronell em The Telephone Book. Mais recentemente, e já numa era
«ciber», podemos ler, no interessantíssimo ensaio de George Myerson
atractivamente intitulado Heidegger, Habermas and the Mobile Phone uma
leitura crítica do mundo utópico proposto pelos anúncios aos telefones
móveis, perversão do conceito de comunicação de inspiração heideggeriana.
7
Só na aparência um termo da ficção científica, embora os autores deste
género não tenham tardado a aperceber-se das suas potencialidades e a dele
se apropriarem. Cf. Chris Hables Gray et al. (orgs.), The Cyborg Handbook,
Nova Iorque, Routledge, 1996.
8
Basta um pouco de perspicácia para perceber, até mesmo numa leitura
superficial, que se trata de um site apologético da Inteligência
Artificial enquanto programa de investigação, perspectiva que não é
propriamente coincidente com a deste artigo. O que, para o objectivo em
causa, resulta tanto melhor.
9
Naturalmente, data que não nos servirá, uma vez que o nosso olhar se foca
numa questão distinta.
10
Que viriam mais tarde a ser quatro, com a adição de uma «Lei Zero».
Enunciemo-las, quanto mais não seja para constatarmos a visão ainda
humanista deste autor:
0. Um robot não pode causar dano à humanidade, nem mesmo pela inacção.
1. Um robot não pode causar dano a um ser humano, nem mesmo pela inacção,
a não ser que tal viole uma lei que preceda esta hierarquicamente.
2. Um robot deve obedecer a ordens emanadas dos seres humanos, a não ser
que tal viole uma lei que a precede hierarquicamente.
3. Um robot deve zelar pela sua própria existência, a não ser que tal
viole uma lei que a precede hierarquicamente.
11
Em 1956, segundo proposta de John McCarthy, ao organizar a primeira
conferência sobre este emergente campo de investigação, a Dartmouth
Conference.
12
Cf. Hubert e Stuart Dreyfus, Mind over Machine: The Power of Human
Intuition and Expertise in the Era of the Computer, p. 7.
Convenientemente, o primeiro artigo que procurou demonstrar
fundamentadamente a impossibilidade de algumas ambições da Inteligência
Artificial, «Alchemy and Artificial Intelligence», da autoria de Hubert
Dreyfus e publicado em 1965 (cf. op. cit., cap. 1), está ausente da lista.
13
Apesar de nunca se dar por vencida. Um clássico contemporâneo em defesa da
IA, Mind Children, de Hans Moravec, foi publicado em 1988.
14
Ainda hoje um must em qualquer introdução ao hipertexto.
15
Mais precisamente entre 1964 e 1966 (cf. Joseph Weizenbaum, Computer Power
and Human Reason, 1976, ed port. O Poder do Computador e a Razão
Humana, Lisboa, Ed. 70, 1992, p. 7).
16
Num primeiro momento uma espécie de tiro pela culatra, na medida em que os
utilizadores se relacionavam com o programa como se de um indivíduo humano
se tratasse, mas Weizenbaum tomaria partido desta aparente contrariedade
ao escrever Computer Power and Human Reason.
17
Não que seja ignorada de todo – antes é ignorado o seu papel fundador.
18
Só a análise desse conceito tripartido interacção-interface-cyborg daria
para um outro artigo. Tentei-o de certa forma num texto publicado em 2000
(«Demasiado sólido, demasiado gasoso», in Rogério Ferreira de Andrade,
Terrenos Vagos, pp. 71-74), mas numa perspectiva ainda muito incipiente.
© Jorge Martins Rosa «Universidade Nova de Lisboa».
Texto: 16/Set/03
Actualização: 16/Set/03
Fonte: Centro de Estudos de Comunicação e Linguagens - www.cecl.com.pt
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