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MÚSICA
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História da Música
Weber
Por Luiz Lobo
A música foi uma arte cosmopolita até o fim do século XVIII, para a qual contribuíram principalmente três países: Itália, Alemanha e França. O Romantismo quebrou esse bom entendimento entre as nações e deu início às dissensões.O convívio e a competição pacífica foram substituídos por uma rivalidade apaixonada e "as vezes venenosa", como observou Otto Maria Carpeaux.
Os alemães, que já haviam conquistado a hegemonia na música instrumental, não aceitavam mais o predomínio italiano no teatro de ópera. Passaram a rejeitar até os libretos em italiano e os temas sugeridos por autores italianos (que ainda empolgaram Mozart).
Os alemães voltaram-se para o seu folclore, para as suas lendas, para as superstições populares, para a Idade Média alemã. Este é o mundo teatral de Carl Maria Von Weber (1786 - 1826), o maior nome da ópera romântica alemã.
Filho de um aristocrata decaído, jogador profissional e empresário teatral, Weber teve uma vida dissoluta na mocidade e foi um aventureiro que, no entanto, recebeu uma sólida educação musical. As guerras contra Napoleão fizeram dele um nacionalista que, como diretor da Ópera de Dresden, expulsou os franceses e os italianos.
Durante algum tempo gozou a glória internacional. Como bom romântico morreu cedo, de tuberculose.
Um pré-romântico sentimental, escreveu lieds antes mesmo da criação do gênero, por Schubert. Nenhum sobreviveu. Foi o sentimento nacionalista e patriótico, que o levou a manifestar-se fervorosamente como antinapoleônico, e a superar a fase pré-romântica, escrevendo coros bélicos.
É esta a inspiração e a motivação para a Aufforderung zum Tanz (Convite à Dança, de 1819), uma valsa que se tornou moda e que passava por ser uma dança tipicamente germânica. "A melodia é tão habilmente inventada que parece canção popular; e voltou a ser canção popular", observa Carpeaux.
O Konzertstueck em fá menor (1821), é uma brilhante peça para piano e orquestra que ainda figura no repertório dos pianistas e é uma declaração nacionalista.
Weber foi um compositor muito versátil. Por exemplo: escreveu uma Missa em mi bemol maior; escreveu as Sonatas para piano em ré menor; escreveu o Quinteto para clarinete e cordas em si bemol maior; escreveu o Concerto para clarinete e orquestra em si bemol maior op.71 e todos eles sobrevivem.
Tal como Mendelssohn, Weber insuflou o espírito romântico nas formas do classicismo vienense.
No teatro, no entanto, não teve sorte ou sucesso durante muito tempo: a forma da ópera, com seus recitativos, árias e coros, resistia às tentativas de usá-la para propagar o romantismo.
Em 1821, um sucesso parcial, a ópera Freischuetz, do tipo italiano, mas cujo enredo e melodias são inconfundivelmente alemães, com a exploração da natureza da misteriosa floresta noturna e da vida alegre e perigosa dos caçadores, recheado com superstições populares e o sentimentalismo da hauss, do lar alemão
Foi um sucesso tão fulminante que a abertura da ópera passou a ser tocada nos realejos e o coro final era cantado nas ruas. Até hoje essa ópera é representada na Alemanha, mas o sucesso atingiu Londres, São Petersburgo, Paris e Nova York.
Em Furyanthe, de 1823, ele foi procurar o romântico mundo medieval e tentou abolir a separação tradicional das árias, coros (dos "números") escrevendo cenas musicalmente ininterruptas. A sobrevivência dessa obra foi prejudicada pelo libreto confuso, mas é uma antecipação de Lohengrin e do drama musical wagneriano.
Oberon, de 1826 foi um novo passo em terreno inédito, com sons nunca ouvidos antes, ecos de um Oriente fantástico e do país das fadas. Foi seu último trabalho antes de ser vencido pelo pulmão doente.
Antes dele a ópera alemã limitava-se á Flauta Mágica, cuja popularidade foi limitada pelo esoterismo maçônico e pelo colorido regional da música, vienense. Weber criou a ópera alemã, escolhendo enredos tipicamente germânicos e que o povo podia entender imediatamente. Ele descobriu e trouxe para o palco a Idade Média cavalheiresca, o exotismo do Oriente, fadas, duendes, lendas, florestas fantásticas e demoníacas, os resíduos da mitologia germânica, despertando sentimentos atávicos na alma de seu povo.
Weber deu um colorido novo à orquestra, valorizando sobretudo as trompas. Suas aberturas são suas criações mais originais e todas sobrevivem, até porque, pela primeira vez, elas são parte importante das obras que prefaciam, são anúncios dos temas principais das próprias óperas, preparam o público e marcam sua lembrança depois. Até as bandas de música adotaram suas aberturas.
Depois de um breve eclipse por conta de seu sucessor, Wagner, Weber teve o reconhecimento e a glória. Stravinsky disse que ele era "um autêntico príncipe da música".
Segundo Mário de Andrade, Weber "fixa o espírito racial da ópera alemã" e "traz de mais pessoal para a música alemã uma palpitação de vida vibrada, uma inquietude nova, irrequieta, às vezes mesmo saltitante, com o que ele genializa o que em Meyerbeer ficou abatido na banalidade e na brilhação falsa".
Diz Mário que é em Weber que Wagner vai encontrar uma tradição nacional segura.por onde dirigir as suas forças de poeta e músico. Assim como afirma que Weber (como Schubert) concebeu o piano como instrumento capaz de caracterizar estados psicológicos e mesmo, às vezes, objetivos.
Uma observação interessante de Mário de Andrade responde à pergunta dos que lêem a história da música e se perguntam porque a maioria das óperas, mesmo as mais elogiadas pela crítica, são inexeqüíveis no teatro hoje em dia. Segundo ele é porque "o teatro é o gênero mais transitório da música. Ao mesmo tempo em que restringe a liberdade musical do criador, está muito sujeito às normas sociais do tempo e estas passam no interesse. Outra precariedade vasta dele é o tamanho das obras." Essas precariedades, diz ele, "torna apenas de interesse histórico uma execução de centena de óperas celebradas".
Fonte: www.tvebrasil.com.br/agrandemusica
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