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TERCEIRO SETOR
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Jovens carentes do DF sonham fazer da dança contemporânea um meio de vida
Marquele Antunes
Repórter da Agência Brasil
Brasília - Giros, saltos, exercícios de respiração, alongamentos e muita criatividade. Tudo isso está mesclado em uma turma composta por jovens entusiasmados de várias cidades satélites do Distrito Federal. O curso de dança contemporânea, desenvolvido pelo dançarino Alexandre Reis, conta com cerca de 40 jovens, entre 16 e 30 anos de idade, que estarão se apresentando na Sala Martins Pena do Teatro Nacional nos dias 1º, às 20h, 2 e 3 de fevereiro, às 21h.
O trabalho desenvolvido por Alexandre desde agosto de 2003 é apoiado pelo Projeto Arte Por Toda Parte da Secretaria de Cultura do DF. “O trabalho é importante para que as pessoas possam ter acesso a esse tipo de cultura”, afirma o dançarino. Segundo ele, qualquer pessoa pagaria cerca de R$ 300 por um curso de dança.
Para a estudante Luciana Graciano, de 19 anos, o projeto abre espaço para quem tem potencial. “É importante mostrar que temos grandes talentos também no entorno”, afirma. Segundo ela, a falta de oportunidades e de recursos prejudica a freqüência dos alunos.
A maior reclamação dos jovens refere-se à falta de conhecimento da população sobre a dança contemporânea. “As pessoas pensam que no entorno só existe dança de rua. Algumas pessoas me perguntaram se o que eu faço parece com forró ou axé”, disse André Mazpã, de Sobradinho.
A proposta de trabalho em Dança Contemporânea é expandir a percepção do próprio movimento. Muitos alunos dividem o tempo entre a dança e o trabalho cotidiano, como Edilene Maria que trabalha como empregada doméstica em Planaltina. Edilene sonha seguir a carreira de dançarina, mas encontra dificuldades ao se deparar com a falta de dinheiro para cursos e viagens. “Não dá pra dançar visando lucro, faço isso por amor”, comenta. “Vamos ser sinceros, é muito difícil alguém a quem falta comida em casa resolver viver de dança”, diz André, atualmente desempregado.
A apresentação utiliza expressões corporais para descrever como o ser humano se sente ao terminar o dia. “É um espetáculo que mostra o que acontece com uma pessoa a partir das 5h da tarde, o que ela faz nesse tempo”, comenta o professor Alexandre. O ingresso é um quilo de alimento não perecível, destinado ao Abrigo dos Excepcionais de Ceilândia.
07/01/2004
Fonte: www.radiobras.gov.br
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